quarta-feira, 4 de março de 2015

Câmara desiste de passagem para cônjuge de deputado

Após ensaiar deixar exceções, Mesa Diretora revoga decisão que liberava uso de verba da Casa para custear voos de marido e esposa de parlamentar

Zeca Ribeiro/Ag. Câmara
Reunião da Mesa Diretora que autorizou uso de benefício público por cônjuge de parlamentar e aumento de verbas para deputados
Depois de ensaiar um recuo parcial, a Mesa Diretora da Câmara decidiu revogar integralmente a decisão de liberar a utilização de passagens aéreas por cônjuges de deputados. A desistência da ideia, assumida como promessa de campanha de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência, foi aprovada pela Mesa em reunião realizada nesta terça-feira (3). O colegiado desistiu de estender o benefício a esposas e maridos de parlamentares após a repercussão negativa da medida, bombardeada nas redes sociais, alvo de ação do Ministério Público Federal e de um abaixo-assinado com cerca de 300 mil assinaturas encabeçada pela Avaaz e contestada por seis partidos políticos, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF).
A autorização do uso por cônjuges de parte da cota para o exercício da atividade parlamentar (Ceap), mais conhecida como cotão, foi criticada por lideranças do PT, do PSDB, do PPS, do PCdoB, do Psol e do PSB, partidos que ocupam mais de um terço das cadeiras da Câmara. Sob pressão, Eduardo Cunha anunciou ontem que levaria o assunto à Mesa Diretora nesta terça. Mas deixou no ar a possibilidade de o benefício continuar, condicionado à autorização do próprio colegiado, em caráter “excepcional”.
“Vamos debater com a Mesa. O que eu posso afirmar é que haverá um recuo. Agora, qual tipo de recuo que nós vamos fazer, deixa que a Mesa decida em conjunto pra não ser uma ação voluntarista”, afirmou o presidente da Casa.
Os deputados decidiram manter uma única possibilidade de a cota aérea ser usada por cônjuge: no caso comprovado de doença do parlamentar. Embora pouco divulgada, essa prerrogativa já existe hoje. A regra continuará a mesma. Ou seja, o deputado terá de comprovar a doença e solicitar autorização ao comando da Casa, que terá de aprovar a liberação.
Eduardo Cunha não chegou a classificar a concessão de passagens aéreas a cônjuges de parlamentares como um “erro”, mas admitiu que a repercussão da medida não foi positiva. “Não acho que foi precipitado, nem que tenha que tomar mais cuidado. É muito bom quando a gente faz uma atitude e pode ter a tranquilidade de vir e rever. Todos nós podemos ter uma convicção e depois constatar que essa convicção não teve a receptividade da opinião pública que nos permita mantê-la”, pontuou.
Na semana passada, o PSDB ingressou com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o benefício. Mas a liminar foi negada pelo ministro Teori Zavaski na sexta-feira última (27).
Na semana passada, a Mesa aprovou um pacote de bondades para os deputados, que devem elevar para R$ 2 milhões o custo anual de cada mandato. O valor do cotão, que varia de estado para estado, aumentou 8,7%. A verba de gabinete, para contratar funcionários, saltou de R$ 78 mil para R$ 92 mil. Também foi reajuste o auxílio-moradia, que passou de R$ 3,8 mil para R$ 4,2 mil. Nesta legislatura, o salário dos parlamentares é de R$ 33,7 mil.
Cunha alegou que os valores das verbas a que parlamentares têm direito e a liberação do uso da cota aérea por familiares de deputados seriam compensados por cortes em outras áreas e, por isso, não implicarão aumento nos gastos públicos.
Como mostrou o Congresso em Foco, desde que a farra das passagens foi revelada por este site em 2009 e a cota aérea passou a ser utilizada apenas por deputados e assessores, os gastos da Câmara com voos caiu em torno de 44%.
Fonte: http://congressoemfoco.uol.com.br/

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